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COMO ME DESCOBRI CIUMENTA E PASSIONAL...


Aos 23 anos eu namorava um homem de 39. Vale dizer que sempre gostei dos mais velhos, embora tenha tido uns “tititis” com homens mais novos que eu (um era 20 anos mais jovem). Mas não fiquem fazendo as contas de quantos namorados já tive porque não vão acertar. Levem em conta a minha idade, 57 anos, que sou solteira, nunca casei, portanto, livre para namorar muito (risos).

Esse homem de 39 anos, foi a primeira grande paixão da minha vida e o primeiro namorado sério que eu tive. E podem cair de costas por eu ter tido o primeiro namorado sério só aos 23 anos de idade. Antes disso foram amores platônicos, paqueras, coisa de adolescente, que nem chegaram a ser namoro.

Ele era (era não, é, porque penso que ainda está vivo, aos 73 anos de idade) um homem bom, generoso, alegre, boêmio, exímio violonista (tocava e cantava para mim: "teus olhos são duas contas pequeninas, qual duas pedras preciosas, que brilham mais que o luar"...), gostava muito de mim também, mas era muito namorador e eu ficava com o pé atrás, claro!

Nós nos dávamos o prazer de fazer grandes noitadas num local que havia no Recife, chamado Casa da Seresta, onde íamos às quartas-feiras para ouvir boa música, ao vivo, tocada por ótimos violonistas e cantada por pessoas que cantavam na noite, em bares e boates. A quarta-feira era o dia de folga, por assim dizer, dessas pessoas e eu desfrutei muito disso e guardo as melhores lembranças desse tempo.

E quando a gente é jovem, tudo é bom e fácil. Eu chegava em casa às 4/5 horas da manhã, tomava um banho, tomava café e ia trabalhar, como digitadora. Nunca faltei ao trabalho nem cheguei atrasada por causa das minhas noitadas. Sempre fui extremamente responsável.

Pois bem, meu namorado namorador se comportava bem comigo e eu nunca descobri nenhuma traição nem canalhice dele. Sempre estávamos juntos e eu sabia os lugares que ele freqüentava e até as amizades que tinha, pois conhecia muitas dessas pessoas.

Na época eu tinha um fusquinha branco e ele um fusquinha azul, que chamava de Herbie, por causa do filme "Se meu fusca falasse".

Uma sexta-feira eu saí com uma amiga e depois fui levá-la em casa, lá em Piedade, uma praia que ficava depois da Praia de Boa Viagem.

Na volta, vim pela Av. Boa Viagem , que é à beira-mar e entrei na Antonio Falcão para seguir direto e chegar ao bairro da Imbiribeira, onde eu morava.

Quando dobrei na Antonio Falcão (já era perto de uma da manhã ou mais) dei de cara com Herbie, estacionado junto a um prédio onde eu sabia que morava uma amiga da minha paixão. Pense num susto!!!

Que fiz eu: estacionei meu carro atrás do dele e comecei a vigilância. Decidi que ficaria ali até ele aparecer. Queria pegá-lo no flagra e nada melhor que esperar. E esperei... Esperei... Esperei...

Só não pensem que esperei sentada, absolutamente. Em alguns momentos até sentei no meio-fio, quando me senti cansada e quando vi um carro da polícia, com medo que eles me abordassem para saber o que eu fazia a uma hora daquela, sozinha, na rua. Hoje eu jamais faria isso, com todo o perigo que presenciamos diariamente.

Naquela época os prédios não tinham a segurança que têm hoje em dia, então eu subi no prédio onde morava a amiga dele (eu não sabia qual era o andar) e fui colocando o ouvido em todas as portas para tentar escutar o som de um violão porque sabia que ele estava ali tocando, entre outras coisas que eu estava imaginando, claro! Não escutei nada! Depois descobri que ela morava na cobertura e para lá não tinha acesso pela escada, pelo menos que eu pudesse ver. Também descobri depois que a moça (ele me levou lá) pesava uns 200kg e nem se levantava muito do lugar por causa da gordura e das doenças que tinha. Fiquei até com remorso de ter pensado mal da situação.

Sem me dar por satisfeita em não encontrar o AP onde ele estava, fui ao prédio vizinho e fiz a mesma coisa. Quem sabe eu estava procurando no prédio errado, né não? Não encontrei nada! Voltei e fiquei sentada no meio-fio esperando...

Quando já eram umas 4 horas da manhã, resolvi ir embora, mas antes pensei em deixar a minha marca para ele saber que estive ali a esperá-lo.

Naquela época os carros não tinham a segurança que têm hoje e eu consegui abrir o carro dele com a chave do meu, afinal os dois eram fusquinhas. Abri e deixei um bilhete para ele pendurado no espelho retrovisor interno, dizendo que tinha estado ali a esperá-lo e mais um monte de desaforos.

Fim da história? Fui para casa? Que nada! Tive outra ideia, que ia deixá-lo irado e sem poder sair do lugar. Arranjei um palito ou alguma outra coisa que não lembro agora e apertei o pito (o nome daquilo é pito?) do pneu da frente do lado esquerdo, esvaziando-o e depois do pneu de trás do lado direito. O pobre do Herbie ficou penso, tadinho... E quase fui pega pela polícia fazendo isso, que passou novamente no exato momento que eu cometia esse ato de vandalismo. Aí sim, fui embora para casa para dormir e esperar a confusão que ele faria quando aparecesse.

Lá pelas 3 da tarde, mais ou menos, ele apareceu. Com raiva? Que nada! Dando grandes gargalhadas com o que eu tinha feito e dizendo que tinha saído da casa da moça umas 5 da manhã e que se eu tivesse esperado um pouco mais tinha me levado para conhecê-la, o que aconteceu dias depois.

O que eu fiz? Nada! Dei boas gargalhadas também e ficou tudo bem. Foi com esse episódio que eu descobri o quanto sou ciumenta e passional. Um colega de trabalho de uma amiga disse que se a namorada dele fizesse isso com ele, também não acharia ruim. Pensaria que ela gostava muito dele, num pensamento parecido com o de Carpinejar.

E há outros episódios na minha vida sobre ciúmes. Uns engraçados e outros nem tanto. Um doeu demais, ao descobrir a traição de uma grande paixão. Abriu feridas que nunca cicatrizaram. Eu segui em frente com a relação, mas não perdoei e não perdoarei jamais, pois de santa só tenho o nome!

Sou humana, leal, fiel, apaixonada e quando entro numa relação ou em qualquer outra coisa na vida, é para valer. Sou incapaz de trair o homem que amo. Se não estiver gostando da relação, faço como dizia minha mãe “pego meus panos de bunda e vou embora”. Não sei trair nem para me vingar. Minha vingança é de outra maneira, mas trair, nunca!

Fátima Vieira

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