Viver a Vida/ Miguel é chamado às pressas pra acalmar Luciana
De repente, gritos desesperados varam a madrugada e rompem o silêncio do hospital. Na voz estridente, toda a pungência de uma dor que não cessa, uma dor que não se faz sentir, que é a própria ausência de dor. É Luciana. Imóvel na cama, ela põe os pulmões para fora e cria um pequeno pandemônio entre médicos e enfermeiros. Ainda que sedada para que dormisse a noite tranquilamente, a paciente acorda no meio da noite e urra seu sofrimento como um animal enjaulado.
Luciana continua gritando. Desesperados, os profissionais que a atendem não sabem como agir. A paciente não quer médicos, enfermeiros, ninguém – exceto o doutor Miguel.